Da France Presse,
A economia chinesa, com crescimento de dois dígitos há cinco anos, ficou abaixo da barreira de 10% nos primeiros nove meses de 2008, o que representa os primeiros efeitos da crise internacional no país, anunciou o Serviço Nacional de Estatísticas (SNE).
O Produto Interno Bruto (PIB) teve alta de 9,9% desde o início do ano, contra 12,2% no mesmo período em 2007.Em todo o ano de 2007, o PIB chinês subiu 11,9%, em seu quinto ano consecutivo de crescimento de dois dígitos.No terceiro trimestre de 2008, porém, o crescimento do PIB ficou em 9,0%, o menor nível desde o segundo trimestre de 2003 e o primeiro de apenas um dígito desde 2005.A explicação: a crise internacional afeta a economia chinesa, explicou o porta-voz da ONE, Li Xiaochao."A taxa de crescimento da economia mundial caiu consideravelmente. Agora existem mais fatores de incerteza e volatilidade no clima econômico internacional", afirmou Xiaochao.O primeiro efeito foi a diminuição das exportações chinesas, consideram os analistas."A desaceleração do crescimento foi, principalmente, resultado da diminuição das exportações e de menores investimentos no setor imobiliário", comentou Jing Ulrich, economista do J.P. Morgan.Em setembro, as exportações subiram 21,5% (21,1% em agosto) e a China registrou um excedente comercial recorde de 29,3 bilhões de dólares.Analisando os resultados, os analistas prevêem uma nova série de medidas para apoiar o crescimento, uma prioridade do governo desde que a inflação começou a cair (de 8,7% em fevereiro para 4,6% em setembro)."O governo adotará rapidamente medidas fiscais e políticas relativas ao crédito e ao comércio", considerou o Merril Lynch.Até agora, Pequim anunciou a intenção de intensificar as reduções do IVA com o objetivo de favorecer as exportações, apoiar o setor imobiliário e acelerar os investimentos em capital fixo."Há uma grande necessidade de investimentos na construção civil e em transportes, assim como nas zonas rurais", ressaltou Li, embora os investimentos já tenham aumentado 27% nos nove primeiros meses do ano, contra 26,3% no primeiro semestre.Apesar disso, as vendas varejistas se mantiveram em um bom nível (+22% desde o início do ano).Pequim permanece otimista: "Nossa economia se mantém vigorosa e capaz de se defender frente aos riscos internacionais", declarou na sexta-feira o primeiro-ministro Wen Jiabao, segundo a agência Nova China.Os principais riscos são uma queda no "ritmo de progressão dos lucros empresariais e dos recursos orçamentários" e o "enfraquecimento" dos mercados acionários.A Bolsa de Xangai perdeu 70% de seu valor desde outubro de 2007.

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