25 abril 2009
A "farra" passagens aéreas, na visão de Luis Nassif
Santo Gabeira do pau oco
21/04/2009 - 11:35 - Blog do Nassif
Neste festival de irrelevâncias sobre passagens aéreas dos parlamentares, senador chorando para cá, parlamentar se punindo para lá, não há nada que se compare ao mea culpa do deputado Fernando Gabeira.
Gabeira é sujeito preparado, inteligente, experiência internacional, foi jornalista, conhece as mumunhas do meio. Quando foi transformado em ícone da moralidade pela Veja, estava na cara que era apenas uma instrumentalização consentida, para conferir mais decibéis às suas críticas ao governo. Virou santo e envergou as asas com a mesma desenvoltura com que vestia sua tanga de crochê nos anos 80.
Agora, no altar de Veja, está na companhia do santo Marcelo Itagiba. São Gabeira e São Itagiba no sétimo céu da Veja - o que é profundamente injusto para com Gabeira, saliente-se.
E o que faz um “santo” quando pego em um pecado venial? (Aliás, que pecado? Pecado é o lobby escancarado no meio parlamentar, os esquemas de compadrio. Cotas de passagens aéreas, ao menos, são benefícios transparentes, válidos para todos os parlamentares, incluídos nos chamdos “fringe benefits” da categoria e sem exigir nenhuma contrapartida espúria.)
Primeiro, a autocrítica que redime. Redimido, saca de novo a espada flamenjante para prosseguir na sua catilinária contra os maus.
Anistia de quê?
23/04/2009 - 10:17 - Blog do Nassif
Essa história de que o Congresso deu anistia a quem usou as passagens para terceiros é um prato vazio. Anistia de quê? Era crime, era irregularidade? É uma prática que sempre foi aceita, que estava incorporada aos benefícios dos parlamentares, que nunca foi questionada. Qualquer empresa grande, quando manda um executivo para lugar distante, garante determinado número de passagens para ele e os familiares.
A remuneração do parlamentar é constituída de seus proventos e de um conjunto de verbas adicionais. Interessa o todo. Se o conjunto de benefícios, mais proventos, for considerado elevado, que se questione o valor total. Separar cada benefício e analisá-lo per si é marotagem jornalística. Cria a impressão de escândalo onde não há.
O Congresso tem inúmeras mazelas, fisiologia, lobbies pouco transparentes, acordos espúrios, negociatas.
Mas o escândalo das passagens obedece a uma lógica matreira e diversionista. Os grandes escândalos são complexos, são tão amplos e envolvem valores tão elevados, que escapam à compreensão do leitor comum. Criam-se escândalos, então, em cima de episódios pequenos, mais perto do dia-a-dia do leitor.
É recurso eficiente, do ponto de vista de provocar catarses e desviar o foco dos verdadeiros escândalos.
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