23 outubro 2008

Polícia de Los Angeles aborda mais negros do que brancos, diz estudo

da Associated Press, em Los Angeles

Um relatório feito por um grupo de defesa das liberdades civis constatou que policiais de Los Angeles, na Califórnia, são mais propensos a parar e a revistar cidadãos negros e hispânicos do que brancos, apesar de brancos serem encontrados com armas ou contrabando com maior freqüência.

"Os resultados desse estudo levantam graves preocupações de que os afro-americanos e hispânicos são parados, revistados e presos em excesso", afirmou Ian Ayres, autor do estudo, economista e professor da universidade Yale de direito.

O documento de Ayres, publicado nesta segunda-feira pela União de Liberdades Civis Americana do Sul da Califórnia, analisou os próprios registros do departamento de Polícia de Los Angeles que contabilizam 810 mil abordagens policiais a pedestres e veículos entre julho de 2003 e junho de 2004.

Mesmo após pesquisadores analisarem níveis de criminalidade de acordo com a demografia e em cada bairro, eles notaram que negros e latinos são parados em proporção significativamente maior. Para cada 10 mil cidadãos de Los Angeles, os negros têm quase três vezes mais chances de serem parados que brancos.

Controvérsia

Apesar de Ayres usar os próprios dados da Polícia de Los Angeles, suas constatações batem de frente com uma análise anterior realizada a pedido do órgão. A polícia local reconheceu disparidades raciais em algumas questões, mas disse não encontrar um "padrão consistente de efeitos de raça" (na ação policial).

Ayres, no entanto, afirma que um policial parou mais de cem negros e cem hispânicos, mas abordou apenas um branco. O professor não incluiu esse policial em sua análise por se tratar de situação extrema que poderia afetar os resultados.

Um resumo do trabalho de Ayres afirma que, durante os últimos cinco anos, a Polícia de Los Angeles recebeu cerca de 1.200 reclamações de cidadãos sobre por discriminação racial, mas o departamento não averiguou nenhuma delas.

O chefe de polícia William Bratton disse discordar fortemente das constatações do relatório e de sua interpretação.

"Este departamento (de polícia) não se engaja em discriminação racial", disse Bratton em coletiva de imprensa. "Ninguém investiga alegações de discriminação racial com maior agressividade que este departamento, esta comissão e este inspetor-geral."

Tim Sands, presidente do sindicato Liga de Proteção da Polícia de Los Angeles, também questionou os dados do relatório e afirmou que o departamento espelha a demografia racial de Los Angeles, com mais policiais hispânicos do que brancos.

"Ayres está tentando manipular os dados existentes para provar o que 9.700 policiais pensam quando fazem abordagens no trânsito --o que é um exercício que pode funcionar em uma folha de rascunho em Yale, mas não nas ruas de Los Angeles", afirmou Sands.

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